![]() ![]() ![]() |
|Meu perfil| BRASIL, Sudeste, SAO JOSE DO RIO PRETO, RESIDENCIAL CIDADE JARDIM, Homem, de 20 a 25 anos, English, Spanish, Música, Livros MSN - xx_digao_xx@msn.com |

"Bob Dylan e a Vizinha de baixo"
Por: Fabrício Corsaletti (Colunista do Folha de São Paulo)

- Oi, pois não?
- Bom dia, cara. Você me desculpa tocar a campainha tão cedo, mas é que não aguento mais...
- Não, tudo bem. Quer entrar?
- Não, brigada.
- O que você não aguenta mais?
- Barulho. O seu som. Bob Dylan. Você ouve essa merda o tempo todo!...
- Não, não é verdade. Eu passo o dia fora. Só ouço de manhã ou de noite. E quando tô em casa.
- Ultimamente cê tem ouvido direto!
- É que eu tô de férias...
- Bom, o lance é que tá impossível estudar. Eu preciso estudar. A gente precisa chegar num acordo.
- Claro. Mas juro que eu não imaginava que eu botasse o som tão alto.
- O suficiente pra me fazer vir falar com você.
- Qual é o seu apartamento?
- O 44, aqui embaixo. Mas a questão não é o volume...
- Não?
- Não. O problema é o Bob Dylan. Sempre Bob Dylan. Você não enjoa?! Eu até gostava do Dylan antes de ser sua vizinha. Tenho o "Blonde on Blonde" e tal. Agora eu não posso mais nem lembrar a voz anasalada dele, aquela gaita insuportável...
- Puxa, sinto muito.
- Meu, meu namorado quase veio aqui uma noite dessas. Aí o som tava alto mesmo. E tinha mais gente na sua casa. Tinha nego berrando. E meu namorado é... ele é um pouco irritado. Queria te quebrar. Eu tive que segurar ele. Aí interfonei pro porteiro, e ele pediu pra vocês abaixarem o som.
- Ah, eu lembro...
- Mas eu não curto ficar terceirizando a relação. Acho que os vizinhos têm que se entender entre si.
- É, também acho.
- Meu, eu não sou escrota. Eu não quero ser escrota. Não vou chamar a polícia, essas paradas. Por isso eu vim pessoalmente te pedir pra...
- Pra eu não ouvir mais Bob Dylan.
- Sei lá, mano! Não tenho coragem de te pedir uma coisa dessas...
- É, não posso te prometer isso, é meio absurdo. Mas prometo pôr o som mais baixo.
-...
- Peraí. Vamos fazer o seguinte. Nesta semana, eu vou ouvir outras coisas, em sua homenagem. Como um pedido de desculpas. Uma semana sem Dylan, que que cê acha?
- Cê tá me zoando, né?
- Não, tô falando sério.
- Então tá. Massa. Acho que eu mereço uma semana sem Dylan.
- O que você quer ouvir?
- Tanto faz. Isso é assunto seu. Só não vai encanar no Tom Waits, hein! Se eu passar uma semana ouvindo Tom Waits, me atiro pela janela e a culpa é sua.
- Fechado.
-...
- Como é o seu nome?
- Marina.
- Prazer, Marina. Fabrício. Você me desculpa?
- Não sei. Mas vou tentar.
"Só para atualizar"
Metade (Oswaldo Montenegro)
Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.
Abraço a Flavia por me lembrar dessa musica!

E, por mais que pareça inútil...
ela fuça,mesmo onde não deve...
descobre várias coisas ....
algumas aprecia...
outras repudia...mesmo não adiantando...
mas enfim ela consegue...
um presente a vc...
seu blog novamente na ativa...
.amo.eterno.
"Amigo de Sabão"
Por: Rodrigo Gonçalves de Jesus.

Meu Deus já são 9:30 ele diz, atrasado joga fora mais um começo de semana. Se levanta, a cabeça pesa, tenta imaginar como chegou em casa colocou somente o short do pijama e conseguiu encontrar a cama para dormir, atordoado caminha até a janela abre para ver se está tudo bem com o carro, vendo que aparentemente está, fecha e resmunga a presença do sol. Vai até a geladeira pega uma garrafa descartável de água mineral, liga o rádio e senta em sua poltrona predileta. Na tentativa de reaver alguma lembrança da noite anterior involuntariamente ele acende um cigarro, a garganta já empapuçada não lhe permite nem o primeiro trago, nota então que seu corpo já não agüenta mais tantas drogas, então bebe um pouco de água na tentativa de se redimir, o corpo novamente rejeita. Um pouco envergonhado com sigo mesmo se acomoda mais relaxadamente em sua poltrona e começa a pensar na vida, sem muitas perspectivas, planos ou sonhos passa a pensar então em qual desculpa dará a seu patrão no dia seguinte, e se indaga, “isso se eu conseguir levantar no horário amanhã!”. Mas na verdade não importava, pra que fazer questão de um emprego do qual nem se gosta? Vivia dizendo que aquele emprego só era útil para pagar o aluguel a gasolina do carro e a cerveja com os amigos, e também já se fazia dois anos e nunca sequer foi promovido a nada. E na tentativa de se auto consolar ele diz. “Vai, tenta ser feliz, pra ver se você não consegue!”, resolve então deixar os pensamentos fúteis de lado e se levanta com o intuito de tomar um banho, quem sabe assim mandar a ressaca pra longe. Chegando ao banheiro depara com sigo mesmo no espelho, um imagem deprimente de um jovem acabado, corpo maltratado por anos de boêmia, cabelo sem corte, barba por fazer e rosto inchado típico de quem bebeu todas na noite anterior, vendo tudo aquilo ele ainda brinca. “É... assim não daria mesmo pra ir trabalhar!”. As primeiras gotas de água a caírem do chuveiro pareceram arrancar a maçã do rosto, um banho que pareceu lavar a alma, chegava a sentir o peso da água levanto tudo para o ralo.
Enxugou-se e foi ao armário, lá enquanto vestia sua bermuda de rotina o celular anuncia uma mensagem, ao pegar o celular nota que eram duas, a primeira uma mensagem de voz de um de seus “amigos” que dizia. “-Cara como você é burro! Não acredito que você foi tão infantil de fazer aquilo, hahahahaha... depois me liga pra conta as novidades abraços!”. A outra era uma mensagem de texto que nas primeiras palavras já se sentia a tristeza, sua namorada anuncia o final de quase 4 anos de namoro, inconformada dizia não acreditar que um dia ele fora capaz de traí-la. Peito apertado se misturava com raiva e angustia.
Chega!
Radio relógio desperta, são 8 da manhã, agora chega!
A partir de hoje renasce em mim o Amigo de Sabão, não sei como passou tanto tempo.
Vai, tenta ser feliz, pra ver o que acontece!
"O Guarda Noturno"
Por: leandro Simões - Pig! para grandes amigos como eu!

Bom...aqui estou mais um dia, melhor dizendo...mais uma noite,
noite que por sinal não será das melhores. Olho para o relógio,
já são quase 05:00hrs, 04:56hrs para falar a verdade, e o desespero
por mais uma noite ardua de trabalho, sem sequer me mexer, sem se
quer ganhar um tustão, se encerra em meu quinto cigarro, quinto do
segundo masso. A tempos estou neste emprego, mas não por que quis,
e sim por que uma hora dessas, estão a minha espera meus tres filhos:
Emanuel o mais velho, Gabriel do meio e Rafael o caçula. Também a minha
espera está minha segunda esposa, Eva...Ah! Eva...uma hora dessas acordada passando
café, esperando seu marido, um "guarda noturno" entre aspas. hum...
Apago meu cigarro na sola de meu sapato, e sigo indignado pela rua quase deserta
se não fosse por um entregador de jornal, e alguns companheiros,
tambem "guardas noturnos". Depois de quase uma hora de onibus chego em casa,
e como disse, minha mulher acaba-ra de acordar meus três filhos para irem para o trabalho ou escola. E como todos os dias ela me recebe com um ardente
e preocupado beijo...beijo que me tira todos os pensamentos na hora, beijo que tira
de qualquer afogamento no poço da saudade, mesmo sendo enquanto termina em tropeços
de colocar sua calça jeans e assim partir para o trabalho. Assim que todos partem
eu tomo um gole de café, e depois do meu banho quente pego o jornal, sento-me
em minha poltrona preferida, velha, rasgada mas, preferida e me jogo de cabeça na solidão.
Adormeço ali mesmo, acordando somente com outro beijo ardente e preocupado
de Eva ao chegar do serviço. É dificil aceitar essa vida monótona, tanto que por
várias vezes encontrei-me diante ao espelho embaçado pelo chuveiro quente,
chorando com a navalha que acaba-ra de fazer a barba na mão, pronto para sair da rotina.
Mas como sempre, olho em meus proprios olhos no espelho embaçado, e além de Emanuel,
Gabriel e Rafael, somente duas coisas me fazer perder totalmente as forças e voltar
mais uma vez ao meu posto de "guarda noturno" e aos meus dois massos de cigarro de todo
dia...e essas duas coisas são...os dois beijos, dois ardentes e preocupados beijos...de
minha doce, linda e eterna...Eva.

Oito da manhã o maldito relógio que acorda ela
insiste em tocar em pleno domingo.
O cd no radio ainda tocava para lembrar-lhe a noite anterior
então com muito custo ele levanta da cama alvoroçada
ainda atordoado procura sua calça em algum lugar do quarto
mesmo nunca estando ali se sentia à-vontade, veste a velha calça
pega um cigarro todo amassado por conta das malicias da noite passada e vai até a sacada.
Ali fica por horas, perde a noção do tempo olhando para um lugar qualquer.
Eis que como um sussurro surge ela
ela... como se já tivesse tamanha intimidade vestia
apenas a larga camisa dele
abraçando-o por traz por alguns estantes
ela se inclina e da lhe um beijo em sua nuca
pareceu ir direto ao coração o calor daquele beijo
fazendo com que ele virasse e a olhasse diretamente aos olhos
ela com o cabelo todo asanhado fleta um sorriso tímido
e ele como resposta simplesmente suspira.
Ela para interromper o silencio seguiu o radio cantando uma das musicas
ele a indaga perguntando se era "Dashboard Confessional - Remeber To Brathe"
ela com um sorriso satisfeito apenas balança a cabeça positivamente
ele então completa dizendo que ama aquela musica
e que ficava ainda mais bela junto com aquele sorriso
ela timidamente se calou e o silencio voltou a prevalecer
os olhares cruzados fixamente pareciam se comunicar fazendo juras de amor
ela então interrompe novamente dizendo que era melhor ele ir
ele pergunta o porque
ela responde polidamente que se não fosse naquele momento ele não irá nunca mais
então ele respeitosamente vai em direção a suas coisas
faltando somente a camisa ele a pedi
ela sem muitas vergonhas a tira com tranqüilidade
ele a olha fixamente nos olhos mais uma vez como se prometesse voltar
e trocam um beijo rápido mais muito intenso
sem mais, ele se vira e simplesmente parte
deixando a porta entre aberta como se fosse voltar.

Não preciso me drogar para ser um gênio; Não preciso ser um gênio para ser humano;
Mas preciso do seu sorriso para ser feliz.
Charles Chaplin